Mestre Ananias

Mestre Ananias é rebento de São Felix, cidade refrescada pelo rio Paraguaçu, que faz divisa com o município de Cachoeira. Estas duas cidades, que são imagens uma da outra, se encontram incrustadas na boca do sertão no Recôncavo Baiano. Considerado uma terra de magia, a região tem enorme valor histórico-cultural devido à concentração de africanos e descendentes que ali foram trazidos desde tempos coloniais escravistas.

Neste cenário foi que Me. Ananias cresceu e teve contato com a rica herança cultural do qual hoje ele faz parte. Convivendo desde pequeno com manifestações culturais como a Capoeira, o Candomblé e o Samba de Roda, Me. Ananias hoje nos ensina que estas manifestações, apesar de distintas entre si, fazem parte de uma mesma cultura proveniente do afro Recôncavo.

Por isso ele costuma dizer que a capoeira, o Samba de Roda e o Candomblé comem no mesmo prato. Assim, sem dúvida, quando falamos de Me. Ananias estamos falando de um representante, testemunha e cúmplice desta cultura.

Chegando em Salvador em busca de Trabalho com seus vinte anos, Ananias foi acolhido por Me Valdemar da Liberdade e teve contato com diversos outros mestres como Pastinha, Traíra, Caiçara, Onça Preta, Zacarias, Cobrinha Verde, Canjiquinha entre outros.

Em 1953, Ananias vem para São Paulo fazer uma série de apresentações no sul e sudeste. Sendo um dos primeiros capoeiristas a se estabelecer na terra da garoa,foi um dos organizadores da Roda de Capoeira na Praça da República.

Após 50 anos esta roda, que significa oencontro mais tradicional e antigo de capoeiras de São Paulo, ainda hoje é comandada por Me Ananias com respeito e dedicação. Durante este meio século, Ananias conviveu com capoeiristas que viveram e passaram por São Paulo como Evaristo, Zé de Freitas, Limão, Silvestre, Paulo Gomes, Suassuna, Brasília, Joel e muitos outros. (Por Rudá de Andrade).

Viste o Blog
Casa do Mestre Ananias
mestreananias.blogspot.com

Mestre Bigo

“Jogando capoeira, eu sou criança “Mestre Bigo (Francisco 45)
Francisco Thomé dos Santos Filho é natural do município de Vera Cruz, Ilha de Itaparica. Nasceu com o umbigo saltado – e foi por essa característica que recebeu o apelido Bigo, que usa até hoje. A fala mansa e o semblante tranqüilo enganam. Na roda de capoeira, é dono de um jogo de muitas chapas e mandingas, incrivelmente ágil para os seus 57 anos. Aprendeu tudo com Mestre Pastinha. “Não tive nenhum outro mestre. Foi só ele. Para mim, é só Pastinha” orgulha-se.

Tudo começou em agosto de 1954. Francisco, ainda menino, foi levado por um tio para uma apresentação de capoeira. De tanta insistência, convenceu o estivador a levá-lo para a Academia de Mestre Pastinha. Dentro do Centro Esportivo de Capoeira Angola, o “Francisquinho” de Pastinha cresceu. E foi lá que recebeu seu segundo apelido, “45″. Quando jovem, Francisco 45 dividia seu tempo entre o trabalho de estivador e as apresentações de capoeira em teatros da cidade. A capoeira o levou para conhecer São Paulo – onde fez um show no Ibirapuera, com João Pequeno e mais dois companheiros. A cada ano, e ainda mais quando Pastinha ficou cego, sua relação com o Mestre era de maior fidelidade.

Bigo o acompanhava de casa para a Academia, ou para onde precisasse. E Pastinha, mesmo sem enxergar, conseguia reconhecer o discípulo apenas pelo som de seus passos. Com a morte de seu querido Mestre, Bigo mudou-se de vez para São Paulo. Desiludido com o triste fim de quem lhe ensinou tudo que sabia, não quis mais saber de Capoeira Angola. “Muitos achavam até que eu tinha morrido”, diz. Passaram-se muitos anos até Mestre Bigo iniciar um trabalho com crianças, em um grupo de Regional. Três alunos deste espaço, percebendo o brilho nos olhos do Mestre a cada encontro de Capoeira Angola, construíram uma academia para convencê-lo a dar treinos. E assim, como uma prova de que, como ele mesmo diz, “o angoleiro perde a batalha, mas nunca perde a guerra”, Mestre Bigo voltou às suas raízes. Batizou seu grupo de Ilê (Casa) Axé (Força). E desde então nos presenteia com toda a energia de suas rodas na Zona Sul da cidade. (Por Cristina Capuano).

Grupo Ilê Axé
R. Lourenço Siqueira Preto, 10 – Jardim Selma
São Paulo Tel.: (11) 5614-7006

Mestre Moa

Romualdo Rosário da Costa nasceu no bairro do Tororó em Salvador no dia 29 de Outubro de 1954. Sempre esteve muito ligado a cultura africana da Bahia e ainda criança, quando desfrutava dos seus 8 anos, iniciou-se no candomblé e na capoeira, desenvolvendo desde cedo os primeiros toques do tambor e seus primeiros movimentos de capoeira.

A “Academia Capoeira Angola 5 Estrelas” de Mestre Bobó se iniciou nos fundos de um quintal na casa do Senhor Mane Jegue em 26 de Dezembro de 1962, com mais de 40 alunos, entre crianças e adultos. Nesta época Salvador já era o berço de grandes mestres como Mestre Pastinha, Mestre Canjiquinha, Mestre Gato, Mestre Valdemar e Mestre Bimba. Porém aos 16 anos Môa do Katendê se afastou da capoeira angola e desenvolveu diversos trabalhos em grupos folclóricos, como o “Viva Bahia” e o “Katendê”. O desejo de disseminar seu trabalho com a cultura afro brasileira o levou a viajar para o Sul do país. Em 1984 foi para o Rio de Janeiro onde começou a ensinar a capoeira angola para não parar de treinar. De lá viajou para Porto Alegre e ajudou a implantar a dança afro no Rio Grande do Sul, até então desconhecida.

Então no dia 05 de Abril de 1987, Mestre Bobó formou sua primeira geração de capoeiristas: Mestre Môa do Katendê e Mestre Lua do Bobó. A partir daí, Mestre Môa começou a ensinar capoeira angola na”Academia de Capoeira Angola 5 Estrelas”, na época no Espaço Clube de Regatas Vasco da Gama. Dava aulas também no terreiro de sua tia Ominbain.

O encanto da Bahia chamou, mais uma vez, Mestre Môa do Katendê. E retornando a sua terra, o Mestre iniciou em 1997, junto com outros Mestres de Capoeira, um projeto com 60 crianças na Associação Brasileira de Capoeira Angola.

Atualmente Mestre Môa do Katendê desenvolve diversos workshops e oficinas pelo Brasil e o mundo. Dissemina seus ensinamentos engrandecendo a arte e a cultura afro brasileira, mostrando que todas as suas manifestações estão e estarão sempre ligadas a uma mesma raiz.
(Por Angélica Moura).

Viste o site
Afoxé Amigos de Katendê
www.angoleirosimsinho.org.br/afoxe


Mestre Jogo de Dentro

Sejam humildes, tenham a Capoeira Angola como finalidade de vida, resgate de nossas raízes e não deixem transformá-la em luta competitiva. Vamos segurar este trabalho. Pois eu vou segurá-lo até o fim da minha vida, a filosofia da Capoeira Angola” Mestre Jogo de Dentro

“Jorge Egidio dos Santos, nasceu em Alagoinhas dia 06 de abril de 1965. Ingressou na Capoeira Angola em 1982, no Forte Santo Antônio (Salvador – BA) na Academia do M. João Pequeno de Pastinha. Depois de um ano foi batizado pelo M. João Grande, de quem recebeu o apelido de Jogo de Dentro. Em 1986 recebeu sua primeira graduação de professor de Capoeira Angola.

Compreendeu sua responsabilidade e passou a dar aulas para o Mestre João Pequeno às 2a, 4a, 6a e domingos antes de ir para o seu emprego no supermercado, onde trabalhou por cinco anos. Em 1989, deixou o emprego para viver para a Capoeira Angola.

Em 1990, durante um evento realizado no dia 23 de setembro, o Mestre João Pequeno resolveu gradua-lo como Contra-Mestre pelo trabalho que vinha desenvolvendo em sua academia. No final deste mesmo ano, M. João Grande viajou para os Estados Unidos e deixou um trabalho iniciado no Teatro Miguel Santana, no Pelourinho. Sentindo a dificuldade dos alunos, Mestre Jogo de Dentro se propôs a ajudá-los com o trabalho iniciado pelo M. João Grande.

O nome do grupo era “Herança de Pastinha”, mas quando iniciou, trocou para “Filhos de João Pequeno e João Grande”, porque era aluno de João Pequeno e os alunos eram de João Grande. Mais tarde houve uma nova troca de nome, e o grupo passou a se chamar “Semente do Jogo de Angola”. O grupo é formado por pessoas que acreditam no trabalho, conscientes do que querem com a Capoeira Angola e se espalhou pelo mundo. Foi formado Mestre de Capoeira Angola, pelo M. João Pequeno em 27 de fevereiro de 1994″

Visite o site
Semente do Jogo de Angola
www.sementedojogodeangola.org.br

Mestre Gaguinho

Raimundo Daniel de Paula, conhecido Mestre Gaguinho, nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 20 de junho de 1935.Com 19 anos entrou para a academia do Mestre Pastinha, que ficava na Ladeira do Pelourinho, nº19, para aprender a capoeira.
Lá encontrou além do Mestre, seus então alunos, João Grande e João Pequeno.

Assim se tornou aluno do Mestre Pastinha, mas diz também ter tido aulas com os dois Joãos, Pequeno e Grande. E foi quando então aprendeu a funcionar, movimentar bem as pernas.Hoje vive em São Paulo com sua esposa, que são casados há 43 anos.

Depoimento Mestre Gaguinho – 12/04/2008